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Crespas Reais: Nathália Braga

  • 28 de jul. de 2015
  • 5 min de leitura

Mais uma Crespa para a nossa amada série Crespas Reais.

Hoje apresento à vocês essa linda mulher que como nós, ama seu cabelo e leva uma vida crespa.

Com vocês... Nathália!

Qual o tipo do seu cabelo?

4C

Desde quando você tem cabelo crespo?

Desde Abril de 2014, após 4 meses forçados de transição porque a minha mãe não deixou eu raspar a cabeça com medo da reação de todo mundo. Como eu já levava esse tempo em média entre um relaxamento e outro, não foi uma transição difícil. Foi um momento de muitas pesquisas e divertidas tentativas e erros ao testar texturizações. Ou melhor: a minha falta de habilidade em texturizações até então. Foram 17 anos sem saber tocar de verdade no meu cabelo.

Usou química por quanto tempo?

Usei por 12 anos, fiz o primeiro relaxamento com 5 anos de idade porque queria ter cachinhos como as minhas primas, minhas referências do dia-a-dia. Tive um curto período de aplicações em casa, o mais medonho de todos. Já o resto, foi naquele salão que todas nós conhecemos. O processo inteiro era estressante, já que começava com a falta de dinheiro em casa pra pagar o super-relaxante e os produtos de manutenção (por isso o intervalo médio de 4 meses), passava pelas horas no ambiente ouvindo falas desmotivantes sobre a saúde do meu cabelo pelas próprias cabeleireiras combinadas às dores que sentia e terminava com o resultado frustrante, mas tinha em mente que era assim que as coisas deveriam funcionar pro meu caso.

Por que decidiu voltar a ser crespa?

Porque houve certo consenso interno. Passei anos ouvindo o famoso “o seu cabelo não cacheia, mas frisa” (tô esperando frisar até agora rs), nunca tive interesse em ficar fazendo chapinha semanalmente (essa rotina me incomoda só de imaginar) e recorrer a algum tipo de alisamento nunca passou pela minha cabeça, nem foi recomendado. Eu nunca soube lidar com o meu cabelo mesmo... Por que não tentar?

Mas, sinceramente, nada me motivou mais do que o sentimento de independência financeira e presencial do meu pai para sustentar o relaxamento. Existia certo desconforto em sofrer com todo esse ‘sapateado’ sobre a minha autoestima e ainda precisar depender de uma pessoa que não reconhece a importância que a aparência exerce na vida de uma mulher (hoje tenho consciência do agravante social enquanto preta).

Dito isso, foi uma questão de tempo até aceitar um “desafio” com uma amiga cacheada que havia passado pela transição e bc e partir involuntariamente pra vídeos um tanto radicais de americanas simplesmente raspando a cabeça até esbarrar no primeiro blog brasileiro que encontrei. Desde então, fui acolhida.

Você tem dias fixos para se dedicar ao seu crespo?

Domingo! É o dia de lavar e texturizar o cabelo, e não só isso. Todo domingo eu separo um filme ou série pra assistir enquanto cuido do cabelo.

Qual o seu creme preferido?

O condicionador Elséve Óleo Extraordinário nutrição intensa! Fico emocionada só de pensar nele rs. Meu cabelo tem uma paixão por cremes consistentes, de preferência os de volume considerável como esses que variam entre 400g e 1kg. Se o preço for acessível como esse, que custa no máximo uns R$18,00 nos lugares menos felizes e servir pra low poo, procuro comprar.

Qual você odeia?

Não existe algum creme que eu odeie, prefiro chamar de “não-funcionais”. Se o creme não funcionou como leave-in (tudo é leave in pra mim, desde que não seja shampoo rs) não tem problema, eu uso durante o banho pra soltar o cabelo, desembaraçando com os dedos.

Gosta de fazer textura? Qual?

Twists (agora que existe comprimento pra isso, antes fazia dedoliss). É prático porque pode durar até uma semana em day afters pra mim, sem contar que força a preguiçosa aqui a de fato enluvar, proteger e desembaraçar o cabelo. Ao longo dos dias eu vou destruindo os cachinhos, até quase não haver encolhimento.

Em quem você se inspira e por que?

É difícil selecionar uma pessoa e justificar, mas confesso que me sinto inspiradas por mulheres brasileiras que utilizam esse espaço virtual pra começar a falar sobre o cabelo e estética para então avançar sobre outros tantos assuntos ligados às nossas vivências.

Escolho então o quinteto Hellen Lobanov (Divas e Crespas – Tipo 4), Fabiana Lima (Beleza de Preta), Bruna de Paula, Nany Kipenzi (Vida de Pretricinha) e a Rosangela Rosa (Negra Rosa). Isso sem contar o Coletivo Meninas Black Power!

Qual dica infalível você daria para deixar qualquer crespo lindo?

Admito que não sou uma pessoa muito recomendável pra essas coisas (risos), tanto que a frase que eu aplico a mim mesma é “deixa o 4c ser o que ele é”. Consequentemente, não existe ‘bad hair day’ por aqui. O cabelo crespo só deixa de ser lindo quando não existe um encontro entre a expectativa do dia e o comportamento do próprio cabelo, aí vira briga, sabe? Hoje, quando eu acordo e me olho no espelho, já faço ideia de qual alternativa tomar, a menos que faltem recursos como água, algum óleo ou creme.

A dica então é exigir menos do cabelo e testar mais coisas, o que também faz com que a ‘mesmice’ só exista caso a pessoa queira.

Em poucas palavras, o que você diria para uma mulher que queira voltar a ser crespa mas tem receio?

Eu já começaria dizendo “você não sabe o que está perdendo!”. ‘POSSIBILIDADES’ é a palavra que define o mundo que surge diante dos nossos olhos quando retornamos a nossa verdadeira textura capilar. É lindo demais ver como essa decisão mexe com a nossa aparência em relação a nós mesmas, como a sociedade nos vê e com o nosso modo de pensar. Nós perdemos o medo de ousar e lembrar desse momento em que existiam dezenas de motivos pra hesitar sempre traz aquele sorriso de “como valeu a pena”.

Acho que não importa o que eu diga, queria mesmo é que fosse possível fazer com que cada mulher pudesse sentir, ainda que por um dia, todo esse empoderamento. Como ouvi minhas amigas, hoje blogueiras e crespas, Luci e Ana dizerem, “é como andar na rua ouvindo Beyoncé”, sendo que no caso VOCÊ é a Beyoncé pra todo mundo em volta. É desse poder que eu tô falando rs. Uma coisa que eu fiz e recomendo é saber aproveitar cada momento dessa jornada. Por favor, não pensem que só depois do comprimento x ou com o tipo de cabelo/visual y vocês serão completas, já existe muita beleza e luta nessas diversas texturas presentes numa cabeça só. Acreditem, quem percebe isso simplesmente ganha o mundo! Principalmente o próprio, que é o mais importante de todos.

Muito linda essa entrevista com a Nathália né?!

Quero dizer que eu escolho as crespas reais aleatóriamente, vejo no meu facebook, página do canal, na rua... e por aí vai. Quem sabe você não é a próxima hein?!

 
 
 

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